Resiliência e capacidade de engajamento

Teamwork of businesspeople

O principal componente das cidades, são as pessoas, e essas desempenham um papel importante na mediação do impacto dos fatores e outras interrupções do sistema de governança, bem como, influenciam uns aos outros individualmente. Atualmente existem muitos esforços que visam aumentar a participação dos cidadãos no planejamento para resiliência. Muitos órgãos públicos já perceberam que eles não podem planejar para os cidadãos, mas deve planejar com os cidadãos para que as informações e feedbacks políticos possam fluir em várias direções. Neste sentido, o aspecto principal do planejamento prima pela identificação e comunicação de metas que sejam compartilhadas e claras. Neste caso, a eficácia do desenvolvimento das metas de planejamento é muito variável, dependendo dos níveis de consenso, flexibilidade e abertura existente entre os participantes, bem como a coerência e clareza na comunicação durante esses processos. Três condições são necessárias para que ocorra a colaboração: diversidade de interesses representados pelos participantes, interdependência dos participantes e diálogo face a face autêntico. Estes são os pontos-chave que suportam probabilidades estatísticas de que a capacidade da rede de um sistema pode contribuir participando para resolver problemas complexos de forma eficaz. A participação do cidadão na tomada de decisão sobre as políticas urbanas e governamentais, e sobre mudanças climáticas em redes têm sido evidenciadas em várias regiões com sucesso, como por exemplo, Durban, África do Sul, Dakar, Bangladesh, Lagos, Nigéria, Hamburgo, Portland, EUA e Cidade do México, e todos eles mostram uma semelhança notável. Contudo, construir uma cultura de engajamento cívico pode melhorar o conhecimento, recursos e a capacidade para uma governança eficaz. Processos deliberativos e participativos, cuidadosamente liderados por pesquisadores em duas localidades no Reino Unido, revelaram uma capacidade latente de engajamento dos cidadãos. Assim, quanto mais transparente se propõe o projeto, para fins de engajar a participação desde o início, mais resultados positivos tendem a aparecer.

A capacidade de reorganização e a resiliência espacial

Destacado

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O planejamento para a resiliência necessita considerar impactos e os fatores de pressão de dentro e fora das cidades. A antecipação é um desses fatores, pois promove a identificação dos tipos de eventos que o sistema deve ser capaz de prever. A partir das rotinas e antecipações dos eventos, é possível reorganizar as funções e recursos de forma permanente ou, por intermédio de preparativos para a mobilização. Esse processo corresponde primeiro ao que se chama de imunização, para tornar o sistema imunitário para a ameaça, por exemplo, movendo-se para fora de uma área de risco. No entanto a imunização pode, em muitos casos, ser apenas parcial. Um sistema pode ser imune a efeitos só até um certo ponto, o que pode diminuir o impacto de eventos, mesmo quando os limites forem ultrapassados. Isso, então, representa um amortecedor. A diferença entre os amortecedores é que degradam lentamente quando os limites forem ultrapassados. Em ambos os casos, o sistema ganha tempo, para detectar e reagir ao evento em curso, mas, no caso da necessidade de uma resposta mais forte e rápida, recomenda-se uma ação imunizante, que é sem dúvida a estratégia mais forte, mas nem sempre possível. O sistema pode então reorganizar e ajustar a sua capacidade de (a) detectar e compreender o sentido do aparecimento de eventos (monitoramento), (b) ajustar e preparar modos de operação que podem ser mobilizadas após a detecção, (c) ajustar as capacidades das respostas, por si só, organizando a atuação durante a resposta. Também é importante identificar as variáveis como tamanho do sistema, propriedades espaciais como conectividade e estrutura, e variação espacial. Pois as cidades não são apenas sistemas adaptativos ou social-ecológicos complexos, elas também são sistemas espaciais. Isso significa que, a resiliência espacial nada mais é do que, uma interação, em diferentes escalas, entre os atributos espaciais do sistema e os diferentes componentes do sistema (como elementos, interações, capacidade de adaptação, memória e história), que são normalmente incluídos nas definições de resiliência.

O que é resiliência urbana?

A noção de resiliência surgiu pela primeira vez em planejamento urbano na década de 1990, onde os estudiosos consideravam a resiliência como a capacidade de um sistema social para suportar perturbações e se reorganizar na sequência de alterações orientadas a perturbação. Mais tarde uma definição interessante veio das ciências sociais, onde a resiliência foi vista como uma consequência da crescente complexidade, incerteza e insegurança na busca de novas abordagens para a adaptação e sobrevivência.  Estudos mais recentes, realizados por Jabareen (2013) evidenciaram que a compreensão da resiliência muitas vezes vem sendo empregada através de uma concepção limitada. Concentrando-se em um único ou pequeno número de fatores de resiliência urbana, o que pode levar à exclusão de características importantes que afetam o desempenho de uma cidade a partir da perspectiva mais ampla da resiliência. Considerando que, uma cidade tem uma variedade de dimensões, sociais, econômicas, culturais, ambientais e espaciais, a  resiliência em uma concepção mais ampla pode permitir aprender com as experiências passadas, tanto positivas como negativas, e identificar formas de melhorar o planejamento e se preparar para futuros distúrbios, pode permitir criar uma melhor capacidade adaptativa para as condições climáticas que se apresentam, pode preparar respostas para às condições futuras, além de ampliar a visão sobre o ordenamento do território. Cidades resilientes são capazes de absorver, adaptar-se e responder diante das alterações em um sistema urbano. Resiliência relaciona-se com outras metas urbanas contemporâneas fundamentais, tais como a sustentabilidade, governança e o desenvolvimento econômico. Cada uma destas questões é vista através das lentes da capacidade de um sistema urbano transmitir informações e recursos. A resiliência compreendida neste sentido passa a ser o centro dos esforços de planejamento inteligente de uma cidade. Assim, o planejamento para a resistência necessita considerar impactos e os fatores de pressão de dentro e fora das cidades, observando a rede que se forma a partir da cidade. Requer ainda, uma avaliação sobre os componentes dessa rede que são vulneráveis, permitindo obter melhor compreensão sobre como esses componentes facilitam certas interações, e quais as suas capacidades para projetar e influenciar outros componentes a partir destas interações com o objetivo final de alcançar resiliência.